sábado, 29 de dezembro de 2012

Minhas mãos

As minhas mãos
abrem as cortinas do teu ser
vestem-te com outra nudez
descobrem os corpos do teu corpo
As minhas mãos
inventam outro corpo
para o teu corpo

Octávio Paz

(fotos: Norbert Gouthier)
 



Que tudo se f...





   – que tudo se foda,
disse ela,
    e se fodeu toda

  Paulo Leminsk











 (Foto: Sasch Huettenhain)

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Mulher de Gigolô

Meu macho, comigo vem,
Com força bruta e arguta,
Vem penetrar na tua puta,
Fazer o que te convém.

Pois sabes que nesta luta
De amor dentro do meu peito,
Sempre foste meu eleito.
Fostes sempre o meu batuta.

Eu te entrego nas quebradas
Meu corpo e minh'alma errada,
Te possuo com loucura,
Te exponho minha fratura.

Te convido pr'uma farra,
Te agarro com minha garra,
Em ti grudo feito sarna,
Te prendo com a minha arma.

E te digo: este amor é meu Karma,
Que com prazer vou cumprir,
Sem dele fazer alarma
Pra só contigo dormir.

Maria do Carmo Lobato
(foto: Aeric Meredith-Goujon)
 

Mais difícil é falo

 

mais difícil é falo
que falá-lo


mais difícil é língua
do que lua

 
mais difícil é dado
do que dá-lo

 
mais difícil vestida
do que nua

 
mais fácil é o aço
do que achá-la

 
mais fácil é dizê-la
que contê-la

mais fácil é mordê-la
que comê-la

mais fácil é aberta
do que certa

nem difícil nem fácil

nem aó nem licor
nem dito nem contacto
nem memória de cor


só mordido só tido
só moldado só duro
só molhada de escuro
só louca de sentido

fácil de falá-lo
difícil de contê-lo
o melhor é calá-lo
o melhor é fodê-lo

E. M. de Melo e Castro
 
(foto: Gal Oppido)

Quero um homem...

Quero um homem
que toque minha alma,
que entre pelos meus olhos
e invada meus sonhos.

Quero que me possua inteira,
corpo e alma,
fazendo dos meus desejos
breves segundos de êxtase
o prazer do encontro total.
 
 
 
 
 
Quero sentir seus braços longos
envolvendo meu abraço,
seus lábios mudos
calando o meu silêncio
sem precisar nada dizer...
apenas me olhando
com olhos negros e úmidos
e me tomando devagar,
como o mar avança na praia,
como eu sei que tem que ser
e sei que um dia será.

Cláudia Marczak

(foto: Tumblr, anônimo)

Vós, meninas


Vós, meninas, entusiasmem-se com os carinhosos presentes
Das musas de seios perfumados e com a lira clara e melodiosa:
Mas o meu outrora macio corpo, agora velho
Enrijeceu; meus cabelos tornaram-se brancos, em vez de negros

Sappho de Lesbos

Safo (em grego: Σαπφώ, transl. Sapphō) foi uma poetisa grega que viveu na cidade lésbia de Mitilene, ativo centro cultural no século VII a.C.. Foi muito respeitada e apreciada durante a Antiguidade, sendo considerada "a décima musa".  Sua poesia, no entanto, devido ao conteúdo erótico (de tendência lésbica) sofreu censura na Idade Média por parte dos monges copistas, e o que restou de sua obra foram escassos fragmentos.

O mundo é grande


O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.


Carlos Drummond de Andrade

(foto: Holman House - Durbach Block Jaggers)

 
 

Rubra, muito rubra


Como a doce maçã que rubra, muito rubra,

lá em cima, no alto do mais alto ramo

os colhedores esqueceram; não,

não esqueceram, não puderam atingir.


Sappho de Lesbos

(foto: Sweetie Birdie, Myspace)

segunda-feira, 2 de março de 2009

Muitas


humilde
para ser uma
úmida
para ser duas
única
para ser muitas

Alice Ruiz S em seu novo blog

Foto: Ray Thomas - sugiro clicar no link

domingo, 1 de março de 2009

ponto gê


ali
no ponto gê
a tomada elétrica
deixa guiomar
de pernas pro ar

Líria Porto em um de seus blogs putasresolutas

Foto: Goddess

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Raios de Sol


os raios de Sol
iluminam a gruta
dos meus desejos

Haikai: Pax

Foto: Loleg.com

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

A boa dieta


Carlota dissera ao seu doutor
Que lhe agradava, de manhã, fazer amor,
Embora à noite a coisa fosse mais sadia.
Sendo ela prudente, resolveu
Fazê-lo duas vezes ao dia:
De manhã, por prazer
De noite, por dever.

Friederich von Logau - tradução de José Paulo Paes - Site Poesia Erótica

Foto: Jim Young

Feminismo


- Bem?
- Cala boca e chupa!

A bela teta


Teta mais branca do que um ovo,
Teta de cetim branco e novo,
Teta que faz inveja à rosa
E mais do que tudo é formosa,
Teta dura, nem teta, sim
Pequena bola de marfim,
Bem no meio da qual aflora,
Rubra, uma cereja ou amora,
Que, aposto com vossa mercê,
Ninguém apalpa, ninguém vê.
Teta de bico cor de sangue,
Teta que nada tem de langue
E, indo ou voltando, não balança,
Quer em corrida, quer em dança.
Teta esquerda, pequenininha,
Sempre distante da vizinha,
Teta que dás fiel imagem
Do restante da personagem,
Quem te vê, que tentação
De te conter dentro da mão
E comprimir-te e apalpar-te;
Mas é melhor deixar-se de artes
E não o fazer, pois prevejo
Que lhe viria outro desejo!
Teu bom tamanho não engana,
Teta madura que dás ganas,
Teta que um só anelo expressa:
"Casai comigo bem depressa!"
Teta que incha e quer ir além
Do corpete que ora a detêm.
Oh! felizardo quem te encher
De leite para te fazer,
De ti que és teta de donzela,
Teta de mulher plena e bela.

Clément Marot - site Poesia Erótica

Foto: Dmitry Loshagin

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Sexo genérico


No ar, um cheiro doce de amor,
No chão, roupas jogadas ao léu,
Na cama, corpos suados cruzam com ardor,
Levando as nossas almas ao céu...

Sussurros e gemidos ecoam pelo recinto,
Olhares se encontram arrefecidos,
Estamos perdidos neste labirinto,
repleto de sentimentos desconhecidos...

De onde vem este estranho sentimento,
que nos faz remexer os quadris com destreza,
a esperar o gozo a qualquer momento?

Ou toda esta luxúria é coisa combinada,
Nada mais que um simples truque da natureza,
que nos impele a ter nossa espécie preservada...

Ronilson Rocha no site Poesia Erótica

Foto: Diogo Ramos Moreira

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Grito erótico


Caluniaste o meu corpo
ao longo dos teus gestos
sem medida

Desde a palavra exacta
do meu sexo
e soletraste-me puta

Puta
Puta

Angustiosamente erótica
abri-me em coxas
e penetrei-te na minha fauna aquática
Grito marinho
a escorrer nas algas
do meu ventre

Puta
Puta.

Manuela Amaral no site Poesia Erótica

Foto: Martin Iman

domingo, 15 de fevereiro de 2009

O meu pedaço de ti


Por que será
Que só consigo
Te ver muito mais
Da cintura
Para baixo?

Isso me deixa intrigada...

Será que é essa
A tua parte
Que me pertence mais
E que por isso mesmo

Me deixa as pernas trôpegas,
Quando a entrevejo
Nas minhas miragens
E nas minhas etéreas divagações?

Será que é essa
A tua parte que,
Sôfrega,
Me sacia exaustivamente,
Por alguns instantes,
Na sua sofreguidão
Benfazeja?

Será que é essa
A tua parte
Que me mata o desejo
E que por isso mesmo
É que, quando procuro
Te vislumbrar
Na mente,
Só consigo
Te ver mais nitidamente,
Da cintura para baixo?

Maria do Carmo Lobato - no site Poesia Erótica

Foto: Phillip - no site Imagens

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A paixão medida


Trocaica te amei, com ternura dáctila
e gesto espondeu.
Teus iambos aos meus com força entrelacei.
Em dia alcmânico, o instinto ropálico
rompeu, leonino,
a porta pentâmetra.
Gemido trilongo entre breves murmúrios.
E que mais, e que mais, no crepúsculo ecóico,
senão a quebrada lembrança
de latina, de grega, inumerável delícia?

Carlos Drummond de Andrade
No site Poesia Erótica de Carlos Seabra

Foto: Daniel Oliveira

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Avistar





Volto a sugerir. Clique aqui.

O primeiro prêmio do ano passado.

De Luciano Moreira Lima - RJ

sábado, 7 de fevereiro de 2009

San Francisco


paisagem

pedras

carnes

miragem

Foto: Doug Wades - San Francisco Nudes

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Suportar


depois que um corpo
comporta
outro corpo

nenhum coração
suporta
o pouco

Alice Ruiz - no livro [dois em um]

Foto: Paulo Cesar

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

No rimar da sedução


Os meus medos
perdidos nas delícias
de tua fruta

Os meus dedos
nas carícias envolvendo
teus receios

Meu desejo firme
como rocha
no pleonasmo sem fim
de tua gruta

E ainda por cima
de sobra a minha língua
depositada sempre nas últimas sílabas
de teus anseios...

Newton de Lucca

Foto: António Louro

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Neste silêncio...


Olhando nos meus, teus olhos gritavam:
diz, diz que me amas, diz da paixão
que sentes por mim...

Tremendo em silêncio, teus lábios diziam:
beija-me, deixa-me beber teu amor,
passear no teu corpo, fazer-te gozar...

Teus seios eretos, ansiando diziam:
somos teus, para sempre,
suga-nos e bebe nosso sumo de amor!

E à noite, teu corpo tremendo, pedia:
vem e me toma, guarda-te e morre
dentro de mim!

Teu sexo úmido, ansiando, chorava:
vem, te prometo prazeres sem fim,
vem meu amor e renasce em mim!

E eu, surdo da vida e surdo do amor,
não ouvia os teus gritos teu desejo por mim...

E quando o tédio infame, afinal tomou conta
e o descaso doído nos fez companhia,
afinal nossa hora chegou...

E sem gritos nem choros,
sem amor e sem ódios,
sem eu o saber,
levastes minha vida.

E hoje, no imenso vazio,
de um silêncio sem fim,
eu ouço teus gritos
que antes não ouvia...

Artur Ferreira
No site Poesia Erótica

Foto Luiz Fernando Rodrigues Leite

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

A cópula


Depois de lhe beijar meticulosamente
o cu, que é uma pimenta, a boceta, que é um doce,
o moço exibe à moça a bagagem que trouxe:
colhões e membro, um membro enorme e tungescente.

Ela toma-o na boca e morde-o. Incontinente,
não pode ele conter-se, e, de um jacto, esporrou-se.
Não desarmou porém. Antes, mais rijo, alteou-se
e fodeu-a. Ela geme, ela peida, ela sente

Que vai morrer: -- "Eu morro! Ai, não queres que eu morra?!"
Grita para o rapaz que aceso como um diabo,
arde em cio e tesão na amorosa gangorra.

E titilando-a nos mamilos e no rabo
(que depois irá ter sua ração de porra),
lhe enfia cona adentro o mangalho até o cabo.

Manuel Bandeira

Foto: Almas a Nu de Marta Ferreira

sugestão do soneto do meu amigo Antonio