
Por que a poesia tem que se confinar?
às paredes de dentro da vulva do poema?
Por que proibir à poesia
estourar os limites do grelo
da greta
da gruta
e se espraiar além da grade
do sol nascido quadrado?
Por que a poesia tem que se sustentar
de pé, cartesiana milícia enfileirada,
obediente filha da pauta?
Por que a poesia não pode ficar de quatro
e se agachar e se esgueirar
para gozar
– carpe diem! –
fora da zona da página?
Por que a poesia de rabo preso
sem poder se operar
e, operada,
polimórfica e perversa,
não pode travestir-se
com os clitóris e balangandãs da lira?
(Waly Salomão)
5 comentários:
grande Waly Salomão.
um a um os mestres vão aparecendo neste blog.
linda poesia, Pax.
você não quer carpe diem comigo?
hum... mas, milady, que frutos haverá na colheita do dia?
bem, deixa pra lá, topo !
muitos frutos, Pax, muitos frutos...
me diga apenas, um dia, que você está pronto para prová-los.
milady,
já estou provando... e você me provocando.
Aqui é uma viagem e fico feliz que outras pessoas estejam entrando nela, sendo provocadas. O título
Pax
Provocando - pequenas grandes sacanagens
surgiu num átimo, foi sem pensar, mas até que não está ruim, não é?
Em marketing seria a frase de posicionamento da marca.
Estou marcado pela sacanagem. :-)
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