sábado, 28 de junho de 2008

Exterior


Por que a poesia tem que se confinar?
às paredes de dentro da vulva do poema?
Por que proibir à poesia
estourar os limites do grelo
da greta
da gruta
e se espraiar além da grade
do sol nascido quadrado?

Por que a poesia tem que se sustentar
de pé, cartesiana milícia enfileirada,
obediente filha da pauta?
Por que a poesia não pode ficar de quatro
e se agachar e se esgueirar
para gozar
carpe diem! –
fora da zona da página?

Por que a poesia de rabo preso
sem poder se operar
e, operada,
polimórfica e perversa,
não pode travestir-se
com os clitóris e balangandãs da lira?


(Waly Salomão)

5 comentários:

Anônimo disse...

grande Waly Salomão.

um a um os mestres vão aparecendo neste blog.

Anônimo disse...

linda poesia, Pax.

você não quer carpe diem comigo?

Pax disse...

hum... mas, milady, que frutos haverá na colheita do dia?

bem, deixa pra lá, topo !

Anônimo disse...

muitos frutos, Pax, muitos frutos...

me diga apenas, um dia, que você está pronto para prová-los.

Pax disse...

milady,

já estou provando... e você me provocando.

Aqui é uma viagem e fico feliz que outras pessoas estejam entrando nela, sendo provocadas. O título

Pax
Provocando - pequenas grandes sacanagens

surgiu num átimo, foi sem pensar, mas até que não está ruim, não é?

Em marketing seria a frase de posicionamento da marca.

Estou marcado pela sacanagem. :-)